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Oriente Médio já representa 12,3% das exportações gaúchas de carnes

JIM WATSON/AFP/JC
Oriente Médio já representa 12,3% das exportações gaúchas de carnes
Somente em janeiro, RS exportou 530 toneladas de carne bovina ao Oriente Médio, contra 5,2 mil toneladas em todo o 2025

Os países do Oriente Médio ampliaram sua participação nas exportações de carnes do Rio Grande do Sul no início de 2026, em um momento em que a escalada das tensões na região gera incertezas sobre o fluxo do comércio internacional. Dados do setor indicam que o bloco respondeu por 12,3% das vendas externas gaúchas em janeiro, reforçando a relevância do mercado para a indústria local. Em 2025, a região respondeu por 8,8% das vendas externas gaúchas.

Em volume, o Estado exportou 5.229 toneladas de carnes para países do Oriente Médio ao longo de 2025. Apenas em janeiro deste ano foram embarcadas 530 toneladas para o mesmo destino.
Embora ainda seja cedo para dimensionar impactos concretos, o setor avalia que eventuais restrições logísticas na região podem exigir ajustes na produção destinada a esses mercados.
O presidente do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Rio Grande do Sul (Sicadergs), Ronei Lauxen, afirma que o momento exige atenção das empresas diante da instabilidade geopolítica e de possíveis efeitos sobre o fluxo internacional de mercadorias. Segundo ele, frigoríficos que possuem produtos voltados especificamente para mercados do Oriente Médio podem precisar reavaliar temporariamente seus planos de produção.

“É um momento de cautela. As indústrias precisam se adequar, talvez imediatamente cessar a produção específica para aquela região do Oriente Médio, que precisa ser readequada”, afirmou.
Na avaliação do dirigente, o impacto mais significativo ocorreria caso eventuais restrições logísticas se estendessem para rotas utilizadas no comércio com outros mercados asiáticos.
“Se isto viesse a afetar a exportação para outras regiões como a Ásia, aí claro que o problema seria muito grave”, disse.

Apesar da preocupação, Lauxen destaca que ainda é prematuro projetar efeitos diretos sobre a atividade industrial ou sobre o mercado interno de carnes. Segundo ele, o comportamento das rotas marítimas internacionais e a evolução do conflito serão determinantes para avaliar eventuais reflexos sobre o setor.

A atenção do setor ocorre em um contexto já considerado desafiador para as exportações brasileiras de carne bovina. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), negociações comerciais e discussões sanitárias com mercados importantes vêm gerando incertezas para o setor ao longo de 2026. Entre os parceiros monitorados pelas empresas estão países como China, União Europeia e México.

Apesar das incertezas no cenário internacional, o Brasil mantém posição central no comércio global da proteína. O País é atualmente o maior produtor e exportador mundial de carne bovina e também lidera as exportações globais de carne halal, produto que segue padrões específicos de abate e processamento exigidos por países de maioria muçulmana e amplamente demandado nos mercados do Oriente Médio.

  • Jornal do Comércio
Exportação, bovinos, carne gaúcha