Indústria diz que cota chinesa para carne bovina brasileira já foi atingida
Embora os números oficiais ainda não mostrem esse cenário, a indústria afirma que a cota chinesa de importação de carne bovina brasileira já foi atingida. Somando os embarques realizados, as cargas em trânsito e os volumes já negociados, os frigoríficos alcançaram o limite de 1,1 milhão de toneladas estabelecido pelo governo chinês após pedido de salvaguarda de produtores locais. Pelos dados do Comex Stat, entre janeiro e junho deste ano, 794,7 mil toneladas já ingressaram no gigante asiático, o equivalente a 72% da cota.
Alguns frigoríficos no Brasil que exportam a proteína para a China já anunciaram, inclusive, férias coletivas.
Presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa explicou que a China absorve cerca de metade de toda a carne bovina exportada pelo Brasil, o que dificulta redirecionar rapidamente essa produção:
— Quem tem maior capacidade de atender outros mercados reduziu um pouco a produção. Já quem depende mais da China está diminuindo o ritmo e concedendo férias coletivas em algumas plantas.
Uma alternativa seria ampliar as vendas para os Estados Unidos, diz o presidente do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Rio Grande do Sul (Sicadergs), Ronei Lauxen. Ainda assim, seria uma solução apenas parcial.
— É um mercado bastante comprador, mas não de todos os cortes. A demanda é principalmente pelo dianteiro, destinado à produção de hambúrguer — justifica Lauxen.
A expectativa do setor era que Pequim revisasse a cota assim que o limite fosse alcançado, diante da elevada demanda chinesa por carne bovina. Até agora, porém, não houve qualquer sinalização nesse sentido.
Sem a ampliação da cota, Perosa considera inviável manter os embarques:
— Hoje a China aplica uma tarifa de cerca de 12% sobre a carne bovina brasileira. Depois que a cota é preenchida, acrescenta outros 55 pontos percentuais. A alíquota sobe para 67%, um patamar impraticável para a maior parte dos cortes exportados pelo Brasil.Enquanto aguarda uma definição chinesa, a Abiec intensifica a abertura de novos destinos. Um dos mercados recentemente habilitados é o Vietnã, ainda com compras consideradas modestas. Já o Japão permanece como uma das principais apostas do setor para ampliar as exportações.
Fonte: GZH