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Cota chinesa de carne bovina já alcança 98% comprometidos, estima setor

Foto: ABIEC/Divulgação
Cota chinesa de carne bovina já alcança 98% comprometidos, estima setor

Principal cliente da carne bovina brasileira, a China já absorveu, na prática, cerca de 98% da cota de importação destinada ao Brasil para 2026, segundo estimativas do setor baseadas nos embarques já realizados e nas cargas em trânsito. A aceleração das exportações nas últimas semanas praticamente comprometeu todo o volume disponível antes da incidência da sobretaxa de 55%. O cenário já levou frigoríficos a reduzir ou interromper a produção destinada ao mercado chinês.

A cota estabelecida pela China para o Brasil em 2026 é de 1,1 milhão de toneladas. De janeiro a maio, segundo dados divulgados pelas autoridades chinesas, foram internalizadas 723,7 mil toneladas de carne bovina brasileira, o equivalente a 65,4% do volume autorizado.

Para o coordenador de Inteligência de Mercado da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, porém, a leitura dos números precisa considerar também os embarques já realizados pelo Brasil e que ainda não chegaram ao destino. Segundo ele, cerca de 300 mil toneladas estão navegando rumo ao gigante asiático.

Na nossa conta, o Brasil está com quase 98% da quota já preenchida, se confirmar os números que nós imaginamos para junho“, afirma.

Segundo ele, o ritmo das exportações acelerou nos últimos meses e boa parte da carne embarcada ainda está em trânsito. A expectativa da consultoria é que o preenchimento integral da cota seja confirmado até o fim de julho.

A avaliação encontra respaldo no setor produtivo. Assessor de Relações Internacionais da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Renan Hein dos Santos concorda que a cota está próxima do limite e afirma que o mercado já trabalha com esse cenário.

É isso mesmo. E aí é olhar para onde a gente vai redirecionar“, afirma ao comentar a projeção de que o preenchimento da cota possa ocorrer nas próximas semanas.

A proximidade do esgotamento já provoca reflexos na indústria frigorífica. Presidente-executivo do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Rio Grande do Sul (Sicadergs), Ronei Lauxen relata que plantas habilitadas para atender o mercado chinês começaram a reduzir a atividade.

Já estão diminuindo ou parando a produção para esse mercado porque tem bastante carne produzida que ainda está a caminho e não foi contabilizada no fechamento dessa cota“, afirma.

Segundo ele, o movimento não ocorre apenas no Rio Grande do Sul.

Nacionalmente, as indústrias já estão parando essa produção em função justamente do atingimento da cota“, acrescenta.

Para os entrevistados, o risco associado à cota chinesa é hoje mais relevante para o mercado brasileiro do que a exclusão do País da lista de fornecedores de carne bovina para a União Europeia a partir de setembro.

A explicação está no peso da China para as exportações nacionais. Dados apresentados pela Farsul mostram que o país asiático responde por 47% do valor e 45% do volume exportado pelo Brasil em carne bovina neste ano.

A China define escala“, resume Hein dos Santos.

Na avaliação dele, a limitação dos embarques tende a alongar as escalas de abate dos frigoríficos, reduzir a urgência de compra de animais e pressionar os preços pagos ao produtor.

Se os embarques para a China forem limitados pelo fim da cota e não houver redirecionamento rápido dessa carne para outros destinos, os frigoríficos ficam com escalas mais confortáveis nas compras, reduzindo a urgência para aquisição de animais“, explica.

Apesar disso, tanto a Farsul quanto a Safras & Mercado descartam um cenário de forte deterioração das cotações do boi gordo. A oferta global restrita de carne bovina continua funcionando como fator de sustentação para os preços.

O cenário aponta pressão baixista, mas não um derretimento da arroba“, afirma Hein dos Santos.

Segundo Lauxen, parte da produção originalmente destinada à China poderá ser redirecionada para outros mercados ou para o consumo doméstico, mas isso não elimina a necessidade de ajustes por parte das empresas.

Parte vai para o mercado interno, parte para outros mercados, mas o que está sendo percebido é que as indústrias realmente estão reduzindo produção neste momento“, afirma.

Fonte: Jornal do Comércio

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