"Déficit" de carne bovina no mundo elevará preços
O preço da carne bovina vai subir, avisa à coluna o coordenador do Núcleo de Estudos em Sistemas de Produção de Bovinos de Corte e Cadeia Produtiva (Nespro), da UFRGS, Júlio Barcellos. Segundo ele, em março, a alta já foi de 10%, que será repassada ao consumidor ao menos em parte. O motivo? Não tem suficiente.
— Há déficit de carne no mundo. Teremos 10 milhões de toneladas negociadas, mas demanda para mais 900 mil quilos em 2026. O consumo cresce com o aumento populacional, enquanto a produção está estagnada porque a pecuária perdeu atratividade.
Os Estados Unidos são um grande fornecedor, mas estão "importando como nunca" e o preço subiu bastante, diz o professor. A Austrália sofre com problemas climáticos, enquanto a Argentina segue reduzindo o rebanho.
Quando sobe o preço da bovina, aumenta o consumo de outras, como carnes de frango e suína, gerando alta de preços delas também.
Outro lado do balcão
Se é um problema para o consumidor, é uma oportunidade para a cadeia produtiva. A China, destino de 70% dos embarques de carne bovina no Rio Grande do Sul, colocou salvaguardas com limite de compra antes de aumentar taxas. Porém, os surtos de aftosa devem retirar a restrição.
— Não acredito que manterão a salvaguarda, a China não tem outros fornecedores. O principal é o Brasil — comenta Barcellos.

— O Chile compra carne de boa qualidade com menor custo industrial e agregando valor. O acém da paleta com osso, por exemplo, vale mais do que o acém sem osso, pois custo para desossar e perdas de peso pela retirada não são compensados pelo maior valor.
Preços pagos pela carne (tonelada):
- China US$ 4,8 mil
- Chile US$ 5,7 mil
- União Europeia US$ 6,2 mil
Fonte: Giane Guerra/GZH