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Exportações de carne do Brasil devem cair 10%, diz Perosa, presidente da Abiec

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Exportações de carne do Brasil devem cair 10%, diz Perosa, presidente da Abiec
Carne bovina: Em 2025, o Brasil embarcou cerca de 3,1 milhões de toneladas de carne bovina in natura.

O Brasil pode registrar uma queda de até 10% nas exportações de carne bovina em 2026, segundo Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec). A retração está ligada principalmente à redução das compras da China e à dificuldade de abertura de novos mercados no curto prazo.

“Se mantivermos esse cenário, as exportações devem cair até 10%. Não há um mercado que substitua o mercado chinês”, afirmou Perosa em almoço com jornalistas nesta terça-feira, 5. Segundo ele, o Brasil exporta para mais de 170 países, mas poucos têm capacidade de absorver volumes significativos.

O principal fator por trás da queda está nas cotas da China, estabelecidas pelo país asiático em dezembro de 2025. No fim do ano, o governo chinês anunciou tarifas extras de 55% sobre importações de  carne bovina que ultrapassarem os limites definidos.

Para 2026, a cota total será de 2,7 milhões de toneladas, sendo 1,1 milhão destinadas ao Brasil, o equivalente a 41,1% — a medida busca proteger produtores locais diante da concorrência internacional

Em 2025, a China respondeu por cerca de metade das exportações brasileiras, com aproximadamente 1,7 milhão de toneladas embarcadas. Com a redução desse volume para algo próximo de 1 milhão, o impacto tende a ser relevante, segundo Perosa.

A expectativa do setor era de que o recuo nas exportações de carne bovina fosse mitigado com a abertura de novos mercados, como Japão, Coreia do Sul e Turquia, mas as negociações enfrentam entraves técnicos e políticos.

No caso japonês, ainda há etapas sanitárias pendentes, enquanto a Coreia do Sul depende de aprovação legislativa. Já a Turquia impõe exigências sanitárias consideradas inviáveis no curto prazo. Sem avanços nessas negociações, a tendência é de retração nas exportações, especialmente no segundo semestre.

Impacto na produção e no mercado interno

Segundo Perosa, a redução da demanda externa pode levar a ajustes na produção, incluindo a diminuição no ritmo de abate em frigoríficos. Algumas empresas já avaliam reduzir os dias de operação diante.

A diminuição do abate é vista como inevitável caso não haja rápida abertura de novos mercados. “Ou a gente acha novos destinos, ou tem que reduzir a produção. Como é que você vai produzir sem ter para  onde mandar?”, afirmou Perosa.

Na prática, o ajuste já começou, disse o presidente da Abiec. Segundo ele, empresas do setor relatam mudanças no ritmo de produção, com cortes no número de dias de abate ao longo da semana.

“Existe uma indústria que abatia 1.200 bois por dia e agora vai abater 1.000, três vezes por semana”, disse Perosa. Segundo ele, a estratégia inclui ainda férias e reorganização das equipes enquanto o setor aguarda novas oportunidades de exportação.

A movimentação busca evitar estoques elevados e adequar a produção ao novo patamar de demanda.

Se o cenário externo não mudar, a redução da produção deve se intensificar nos próximos meses, uma vez que a cota da China deve ser preenchida até meados de junho. “Se não tem mercado externo, se não tem mercado interno, a indústria vai fazer o quê? Tem que reduzir o abate”, afirmou Perosa.

Uma das alternativas consideradas pelo setor é o aumento do consumo doméstico. O mercado interno aparece como uma possível válvula de escape, mas com limitações.

“Precisamos aumentar o consumo no mercado interno, mas talvez isso não seja suficiente”, disse Perosa. Segundo ele, nem todos os produtos destinados à exportação têm aderência no mercado brasileiro.

Fonte: Exame

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